Wednesday, April 13, 2005

Características do Jornalismo Online

Em parceria com: Tatiana Tanaka e Júlia Guimarães

Resenha criada a partir do texto "Considerações para um estudo sobre o formato da notícia na Web: o link como elemento paratextual", de Luciana Mielniczuk e Marcos Palacios.

Com o surgimento do jornalismo online, a notícia passou a ser publicada de uma forma inovadora. Diferente do formato precedente, o texto jornalístico tornou-se dinâmico aos olhos do leitor. De acordo com Bardoel e Deuze (2000), são quatro as características do jornalismo online: hipertextualidade, multimidialidade, interatividade e personalização.

A interatividade faz com que o leitor/usuário sinta-se parte do processo. Através de vários recursos interativos, ele tem a capacidade de se comunicar com outros leitores e jornalistas por e-mail, chats, etc. O multi-interativo é o conjunto de processos que envolvem a situação do leitor de um jornal online, pois, a partir do momento que o leitor/usuário estiver diante do computador, conseqüentemente estará estabelecendo várias relações, com o texto, com outras pessoas, com a máquina.

O fato de o usuário percorrer seu próprio caminho, optando entre links disponíveis, caracteriza-se como uma forma de personalização. A hipertextualidade implica na existência de textos escritos, sonoros e visuais, que estão organizados em blocos de informações interconectados. Assim, o leitor terá a opção de ler e chegar ao seu destino pelo caminho que escolher.
Outra característica que sobressai no jornalismo online é a memória. Sendo a internet um meio de grande acúmulo de informações, é possível armazená-las e acessar com maior facilidade o material disponibilizado anteriormente. A junção da hipertextualidade com a memória rompe os limites espaciais e temporais que foram, desde sempre, uma marca essencial da prática jornalística em todos os seus suportes pré-telemáticos.

Link: um elemento paratextual

O texto passou por diversas modificações ao longo do tempo, entre elas uma das mais importantes: sua fragmentação. Landow defende que esta diferença está relacionada às diferenças existentes entre a forma da escrita manuscrita e a escrita impressa adquiriu em suas trajetórias. De acordo com Mouillaud, no final do século XIX, o jornalismo impresso destacava-se pelo uso de uma escrita literária e política, com textos longos não havia uma diagramação adequada, o que resultava em uma leitura visualmente cansativa.

Foi a partir da narração do cotidiano da sociedade que o texto mudou seu formato. Os jornais passariam a adotar textos curtos e diferentes. Surge aí a primeira preocupação com a diagramação. Antes possuíamos livros, cujo volumes e cujas páginas eram tabuinhas, organizados em grupos presos por cordas. Depois vieram os pergaminhos e mais tarde os jornais.Atualmente temos um novo conceito no que diz respeito à fragmentação textual: hoje a ligação de textos na Web é feita através de links.

Para Gouazé o link é um elemento de negociação entre leitor e texto. Genette define o link como um dos elementos paratextuais mais importante do hipertexto e principalmente para o jornalismo na web. Um link é capaz de mostrar para o internauta as várias características existentes no hipertexto, uma delas, talvez a mais importante, é a não lineariedade. O hipexteto não tem fim, e através da lincagem posso ir a outros textos.
Conclui-se portanto que o link não é apenas um elemento paratextual do hipertexrto, alem de proporcionar uma opção de complemento da leitura ele vem dotado de significados.

Reinventando a webpage

Exemplos de sites destinados ao jornalismo da web, como o Último Segundo, que foi o primeiro da internet brasileira do ramo, criaram um padrão de estilo tanto para a notícia quanto para a própria página. Assim como classifica-se as zonas de uma página de jornal, a webpage também possui focos de maior ou menor fixação de leitura. Um exemplo básico é o de inserir a barra de menus do site do lado esquerdo da página, enquanto o texto principal – ou hipertexto – mantém-se no centro e compete, às vezes, com anúncios publicitários à esquerda (ou acima dele) ou até mesmo com informações interessantes e de fácil leitura, como cotação do dólar, meteorologia, etc. Já no topo da página, encontra-se a logomarca do site, acompanhada da barra do portal (quando se trata de um website de um portal) e/ou banners publicitários.

O que vale ressaltar é a padronização vista de uma forma negativa. À medida que os demais portais viram que a difusão da notícia na web valia a pena e era fruto de capital, outros sites foram aparecendo, mas seguindo o mesmo design do último Segundo. Isso deixa o internauta confuso quanto à escolha de qual site vai ler, pois não identifica características próprias além de cores ou tipos utilizados; às vezes, é difícil até identificar a linha editorial aplicada ao site.

Outro ponto importante é o tratamento dado ao hipertexto. Conceituou-se que ele é a união de todos os links e nodes de uma webpage, ou seja, todos os entroncamentos que são gerados da página principal. Essa visão minimalista dá a entender que o link, por exemplo, é a grande vedete da web, sendo que ele é apenas um dos muitos recursos que possibilitam a interatividade. A noção de velocidade na internet, assim, desaparece. São tantas páginas criadas e ligadas por links que o acesso torna-se difícil e compromete a compreensão. O ideal seria o abuso de recursos multimídia (áudios, vídeos e fotos) que falem por si e até os recursos avançados de programação para web, como o javascript. Assim, a amplitude da informação será maior e transmitida de uma forma mais dinâmica, interessante e compreensível.

Wednesday, April 06, 2005

Conhecendo e analisando portais regionais

Os portais regionais surgiram na web nacional a partir de 1999, e foram adotados tanto por empresas informativas com atuação já consolidada no setor de comunicação, como também por aquelas com atuação exclusiva no suporte digital, e pelas que atuam em ambos os domínios, no meio tradicional e no digital. É o que define a jornalista, mestre e doutoranda em Comunicação e Cultura Comtemporâneas, Suzana Barbosa, em seu texto “Os portais regionais como um formato para o jornalismo”.
Para Suzana Barbosa, os portais regionais constituem-se em si mesmos como uma modalidade a mais para a produção e veiculação de conteúdos jornalísticos na web, além de uma subcategoria para o jornalismo de portal. Os portais regionais são um bom exemplo da apropriação da tecnologia segundo uma lógica de articulação local-global.
Suzana cita em seu texto o sociólogo Roland Robertson, que afirma que aquilo que normalmente se entende por local está, em geral, no contexto do global. Por isso mesmo, Robertson entende que a globalização, definida por ele num sentido amplo como a compreensão do mundo como um todo, envolve a conexão de localidades. O sociólogo considera mais adequada a adoção do termo glocalização, com o qual concordamos, pois este pressupõe a simultaneidade e a interpenetração do global e do local, do universal e do particular.

Quando no Brasil ainda estavam surgindo as primeiras edições digitais dos jornais impressos na web, em Boston já estava sendo lançado o Boston.com, um site do The Boston Globe, tradicional diário da cidade. O site tornou-se um dos portais regionais com maior audiência nos Estados Unidos e também na web mundial.
Os portais regionais só apareceram no Brasil, quatro anos depois que os Estados Unidos. Essa demora é justificada pelo fato do país só ter tido acesso comercial à internet, liberado no primeiro semestre de 1995. O pioneiro entre os portais regionais nacionais foi o UAI, criado em 1999.
Segundo Suzana Barbosa, concretizados tanto através das operações digitais dos grupos de comunicação tradicionais, quanto por iniciativas de empresas de negócios e de internet e , ainda, como resultado da fusão de empresas de perfis diversificados, os portais regionais são um dos segmentos para a aplicação do conceito de informação de proximidade.
Como observa Zélia Adghirni, o jornalismo online é uma mídia de proximidade, pois, enquanto as tecnologias de comunicação precedentes valorizavam a informação global, o webjornalismo privilegia o local. “Cada um informa do lugar onde se encontra tecendo os fios e amarrando os nós da imensa rede de informações mundial”.
O Jornalismo de serviço em geral é um dos importantes diferenciais nos portais regionais, de acordo com Suzana Barbosa. Justamente por explorarem uma relação de maior proximidade com o território, com a comunidade. As possibilidades que a tecnologia digital oferece, aliada às características do suporte aplicadas ao jornalismo, reforçam o emprego do conteúdo de serviços no jornalismo digital. Essa habilidade só confirma a importância do profissional jornalista como um mediador.
Definição controversa

Os portais regionais têm como características principais o foco na segmentação e o tratamento dispensado às notícias. É de se esperar que o internauta, ao visitar sítios regionais, busque por informações sobre aquele local. Apesar de existirem portais “franqueados”, como os regionais da Globo.com, a essência de um portal regional permanece firme no atendimento às demandas de segmentação, seja relacionado ao público ou até mesmo ao conteúdo. Ou seja: o método evita uma concorrência direta com os chamados “portais horizontais”, que interagem com o mega portal.

Suzana Barbosa faz uma análise de linguagem, contexto, conteúdo e acessibilidade dos portais regionais. Para ilustrar sua tese, escolhemos aqui três portais regionais distintos entre si, sobre os quais classificaremos de acordo com a autora. São eles: ViajeSergipe.com.br, Explorevale e Unifolha.

O portal ViajeSergipe.com.br, dedicado ao estado do Sergipe, traz em sua página principal as notícias mais importantes, mesclando assuntos diversos. Há a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre o estado, nos links Sergipe, nossa cultura e pontos turísticos. O portal não disponibiliza editorias, o que dificulta a seleção das notícias para leitura. A linguagem jornalística adotada não presta serviços aos internautas, pois há no portal uma sessão específica para isso. O portal tem o respaldo de um jornalista, mas seus textos são basicamente frutos de press releases que recebem.

Já o portal Explorevale não traz nenhum conteúdo jornalístico sobre a região do Vale do Paraíba, em São Paulo. O objetivo é informar sobre as cidades que compõem a região, com programações de eventos, fotos, entre outros. O portal torna-se informativo no sentido amplo da palavra. O que os webmasters do portal deveriam fazer para suprir esta falha seria a inclusão de links para notícias relacionadas às cidades da região.

Em contrapartida, o portal Unifolha, do Mato Grosso do Sul encaixa-se em todas as características citadas por Suzana. É híbrido, ou seja, as notícias se mesclam ao conteúdo – mas sem confundir o internauta. As outras sessões são devidamente separadas ao lado esquerdo do site, em editorias. Outro ponto positivo é o lado jornalístico extremamente ressaltado. Isto deve-se ao objetivo do portal, que é realizado por acadêmicos de Jornalismo da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP. Seus textos são retirados de jornais do próprio estado e, não obstante, escritos pelos próprios alunos.

É interessante notar que há, ainda a dificuldade em contextualizar o sentido de “portal regional”. Isso se ilustra com a falta de portais no Brasil. Em uma pesquisa no Google®, constata-se que o número de portais regionais portugueses é imenso, perto dos nacionais. Em, Portugal, há o hábito de dividir os sítios nas próprias regiões do país, o que facilita a busca na internet e torna a criação de matérias e editorias mais objetivo.
Excessos publicitários
Antes de iniciarmos nossa análise, gostaríamos de esclarecer que encontramos apenas um portal regional no Centro-Oeste Mineiro: o portal MegaDivi.com.

Para Suzana Barbosa um portal regional deve falar jornalisticamente para uma determinada comunidade. “Concretizados tanto através das operações digitais dos grupos de comunicação tradicionais, quanto por iniciativas de empresas de negócios e de internet, ainda, como resultado da fusão de empresas de perfis diversificados, os portais regionais são um dos segmentos para a aplicação do conceito de informação de proximidade”.
O portal analisado contém temas diversificados, porém voltados para a publicidade. A página inicial possui muitos anúncios publicitários, sendo tantos que um chega a encobrir o outro. Possui também fotos da cidade de Divinópolis, promoções para cadastrados do portal, ensaios fotográficos e noticias.
As noticias têm pouco espaço no portal. As poucas que possui não têm atualização recente. Para se ter uma idéia, a ultima noticia de caráter público foi publicada em 10 de outubro de 2004. São pouquíssimas noticias regionais, predominando as nacionais e as internacionais. Quanto as noticias regionais, estas estão sempre ligadas às propagandas de eventos publicitários. Por tais motivos não pode ser considerado um portal regional jornalístico, afinal endente-se que o jornalismo é voltado para o interesse publico, e a publicidade esta voltada a interesses particulares.

Friday, April 01, 2005

Weblogs 2 - a missão

Vamos aos fatos:

Continuando o assunto de 18/03/2005, entrei no blog da Sônia Terra e achei interessante a sua abordagem.
Ela utilizou o lado instrutivo do texto, o que eu considerei positivo tratando-se de uma mídia a ser ainda explorada no meio jornalístico. Infelizmente, muitos não compreendem que o blog torna-se cada dia mais necessário para a comunicação, tanto no sentido de aprimoramento de técnicas de escrita quanto no de divulgação de notícias.
Outro fator interessante que a jornalista ressalta é a função de "visor dos bastidores" que o blog adquiriu nas editorias. Ela relembra que várias mídias passaram a inserir blogs de seus repórteres nos sites, para que uma visão mais aprofundada dos assuntos divulgados originalmente fosse lida e comentada.
Achei, porém, que os dois únicos pontos importantes deixados de lado pela Sônia (e também por vários outros colegas que noticiaram o assunto) foram a entrevista com o Avery Veríssimo, que cedeu uma coletiva à turma sobre o assunto blogs, e a possibilidade de interação entre emissor e receptor, através dos comentários.
O primeiro ponto negativo era de suma importância para enriquecer a matéria, pois foi da entrevista que os alunos tiraram as informações necessárias para a construção do texto. Já o segundo foi, inclusive, fruto de uma atividade solicitada pelo professor Leonardo Gomes (que, a propósito, é esta que estou fazendo). Todos os alunos deveriam entrar nos blogs uns dos outros, ler os textos e tecer comentários a respeito dele. Por fim, fariam uma resenha sobre o texto do colega em seus próprios blogs.
Por fim, acredito que o objetivo das atividades propostas foi positivamente superado: os alunos construíram seu espaço na web para noticiar, praticar a redação e inovar. Como disse o próprio Leonardo, chegou até a ser mágico a descoberta do blog pelos alunos. Só resta saber se essa magia não terminará com o semestre.
E assunto encerrado! ;)

Friday, March 18, 2005

Alunos de Jornalismo discutem blogs de notícias em coletiva

O coordenador dos cursos de Comunicação Social das Faculdades Integradas do Oeste de Minas – FADOM, Avery Veríssimo, concedeu entrevista coletiva aos alunos do oitavo período de Jornalismo matutino sobre o tema “blogs jornalísticos”. Avery explicou que, assim como as páginas HTML, os weblogs possuem a mesma estrutura física, sendo que sua diferença resume-se na facilidade com que o autor tem em manuseá-lo.
A principal questão abordada pelos alunos foi quanto à credibilidade no meio virtual. A vantagem encontrada no meio impresso ainda é a de que existe um certo renome, sendo que os blogs ainda são uma ferramenta pouco explorada no meio jornalístico. Porém, num futuro próximo, ambos terão que responder de forma igual por todo e qualquer material divulgado.
De acordo com Avery, um blog jornalístico apura as notícias de forma diferenciada. “O blogueiro trabalha baseado nas notícias já existentes pela web ou procura abranger um raio de notícias bem menor”, explica. Ele também afirma que qualquer texto divulgado tem o objetivo de informar algo. Todo jornalista deveria ter seu blog, pois encontra neles uma ferramenta mais liberal e democrática para exercer seu ofício, utilizando recursos de metalinguagem e hipertexto.
Avery é mestre pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Vamos aos fatos:

Como Avery disse, é muito mais prático redigir com o blog. Tal ferramenta proporciona, além do aperfeiçoamento da escrita, uma liberdade de pautas. É o sonho de todo jornalista: escrever sobre o que quer, a hora que quiser, e ainda dar seu pitaco no assunto.
Ovbiamente, ainda há muito o que se estruturar na internet e, particularmente falando, nos weblogs. A começar pela democratização do meio: acredito ser meio utópico o sonho da era digital, onde todas as casas terão um computador com internet e todos os jornalistas poderão informar e manter-se informados através da web.
Creio eu, na minha humilde e insignificante posição de acadêmico, que fatores como educação, cultura, economia e social interferem no processo. Sempre existem os casos de iraquianos criadores de sites ou afegãos blogueiros, por exemplo. Mas convenhamos: são exceções.
Jornalista existe às pencas. E o blog começa a ser diferencial na classe: é o “divisor de águas”, ou você tem ou você não tem. Aí, se não tiver, acaba ficando para trás. Mais do que ferramenta de informação, o blog acaba sendo ferramenta de inclusão. Você expõe suas idéias, narra os fatos, opina e joga na rede, para qualquer um ver.
Estive na coletiva e, assim como o restante dos alunos presentes, tive medo do novo (apesar de já saber o do que se trata e ter blog há quase três anos). Mas foi inevitável: ser jornalista de web requer tanta ou mais responsabilidade do que em qualquer outro meio. Tem que correr atrás da fonte, apurar fatos, desconfiar de tudo o que lê. Enfim: mesmo virtualmente, o trabalho jornalístico deve sempre existir.

Links relacionados:

O que é blog?
Pesquise sobre blogs!
Portal de blogs jornalísticos!

Blogs dos alunos do oitavo período de Jornalismo da FADOM (minha turma):

Áurea
Cristina
Elisabete
José de Carvalho
Júlia
Juliana
Luciene
Magnolia
Marco Antônio
Nina
Pedro
Sara
Sérgio
Simone
Sônia
Tatiana